Tratamento endodôntico em molar inferior com anormalidade anatômica.
Paciente compareceu à clinica com quadro de abscesso agudo na região posterior inferior esquerda. Verificou-se que o dente causal era o 37, com necrose pulpar.
Observou-se radiograficamente imagem radiolúcida periapical difusa e anomalia de desenvolvimento no referido dente.
O paciente foi medicado com antibióticos e uma tomografia foi requisitada, revelando a complexidade anatômica e a inexistência de canal na estrutura radicular acessória distal, que inclusive é revestida de esmalte na porção apical.
A paciente possui também dens invaginatus no dente 11 e dente conoide 12.
Após a cirurgia de acesso, os espaços endodônticos foram acessados, e descontaminados com auxílio de PUI e PDT e foi colocada medicação intracanal (Bio C Temp).
Após um mês, a medicação foi removida e a obturação foi realizada com cones de guta percha e cimento biocerâmico(Bio C Sealer), ativado por ultrassom
Caso realizado pela aluna Annelisa Kozan, do curse de especialização em endodontia da APCD Jundiaí.



Dens in dente, in: Silva et. al.Tratamento endodôntico de um incisivo lateral maxilar: um caso raro de dens invaginatus tipo II duplo. Dental Press Endod. 2014 May-Aug;4(2):79-82
Introdução
Dens in dente, também conhecido como dens in dens ou dens invaginatus (DI), é uma anomalia do densenvolvimento que resulta da invaginação do órgão do esmalte para dentro da papila dentária, começando pela coroa e, algumas vezes, se estendendo à raiz, antes que a calcificação ocorra. A incidência dessa anomalia é relatada entre 0,04 e 10%, e comumente ocorre nos incisivos laterais superiores permanentes,
seguidos dos incisivos centrais superiores, pré-molares, caninos e, menos frequentemente, molares.
DIs podem ser classificados de acordo com a severidade, sendo a classificação mais aceita a de Oehlers, de 1957, que descreve três tipos de DIs para os dentes anteriores: tipo I, quando a invaginação é confinada dentro da coroa; tipo II, quando a invaginação nvade a raiz, terminando como um fundo cego, com a possibilidade de conexão com a polpa dentária; e tipo III, quando a invaginação penetra através da raiz, se estendendo à região apical.
Dentes acometidos por DI estão associados a um alto risco de doença pulpar e suas sequelas — isso é, necrose pulpar e periodontite apical —, uma vez que a invaginação permite a entrada de bactérias e agentes irritantes, e pode se comunicar diretamente com o espaço pulpar
e/ou por meio de uma fina camada de esmalte e dentina deficientemente desenvolvidos. O DI tipo III também pode causar periodontite apical sem envolvimento pulpar.
O tratamento dentário é, frequentemente, necessário, uma vez que a invaginação permite o acesso de irritantes dentro do espaço pulpar ou dentro de uma área conectada aos tecidos perirradiculares. Várias técnicas têm sido relatadas na literatura para o tratamento de dentes com DI, incluindo o tratamento endodôntico não cirúrgico, a cirurgia endodôntica e a extração. O sucesso pode, ainda, ser fortemente dependente da morfologia
interna do dente afetado, que é extremamente variável e pode ser difícil de ser reconhecido clinicamente.
Anomalia em incisivo lateral dens invaginatus





